quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

VINTE E CINCO CENTAVOS

- Então, enquanto andava pela madrugada vi uma moeda de vinte e cinco centavos no chão; estava meio escondido no matinho na beirada do bueiro. Aí eu fui pegá-la e vi que tinha mais de uma, como num montinho. Eram quatro moedinhas. Quando as peguei percebi que tinha mais. Acho que tentou enterrar, mas não fez bem feito. Dava mais de quatro reais. Só que pensei que era dinheiro de viciado em craque. Quer dizer, além de ser dinheiro sujado eu iria causar dor no dono. E quem sabe o traficante não poderia machucá-lo? E eu não quero me sujar e nem causar transtorno de espécie nenhuma a ninguém.
- E aí você deixou lá? É besta mesmo.
- Pode ser, mas não há porque se irritar, Vinícius. Foi só um sonho.
- Só um sonho, só um sonho...
- Eu ouvir dizer que sonhar que achou dinheiro “é sinal de que conseguirá ascender no campo profissional”¹.
- Que bom, Matheus, porque estou preocupado.
- Preocupa, não bobo. Você estuda pra caralho.
- É! Estudar eu estudo. Falta consegui transforma isso em renda.
- Nem só de renda vive o homem.
- Verdade, mas... “Tu me ensina a fazê renda que eu te ensino a namorᔲ.
- É um convite?
- Pode ser... Porque o importante é estudar, trabalhar e namorar.
- Não necessariamente nesta ordem.
- Não necessariamente.



  Rubem Leite é escritor, poeta e crontista; professor de Português, Literatura e Artes. Escreve ao Ad Substantiam semanalmente às quintas-feiras. E toda segunda-feira no seu blog literário: aRTISTA aRTEIRO.


  História pensada no final de janeiro de 2017 e escrita na manhã de 02 de fevereiro do mesmo ano. E publicada no mesmo dia.

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