quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

NO SÂBI UÉI

EN EL SABI UÉI


Em português

Mal me sentei e vi uma jovem passar por mim no sâbi uêi. Sem tardança um rapaz lhe chama. Curiosa, olha para trás. Era o celular que esquecera sobre a pia e que ele a devolvia. É sempre bom ver uma pessoa ser correta em um capitalismo que se diz honesto em nossa sociedade neoliberal. Mas...
Na bela e calorenta manhã, no quintal da casa, perto das galinhas e dos pesinhos de couve, alface, taioba, tomate a mãe vê seu filho amuado:
- Oh, meu filhim. Ocê tá duentim? Está com febrinha? Tadim!
- Tôôô!
As galinhas estão ciscando tranquilas, tranquilas.
- Vou matá uma galinha pra fazê uma canjinha procê sará rapadim, rapidim...
- Dá um paracetamol para ele, sua chata nojenta. – Diz a galinha irritada.
Ainda no sâbi uêi comendo um sanduiche qualquer, mal terminei esta leitura (a qual eu melhorei em minha imaginação – esta que acabou de ler) preferi pensar na jovem que passara por mim e sem tardança ser chamada pelo rapaz.
- Nossa, como você é um pretinho honesto.
Consigo achar a história que li (nem precisa ser a melhorada) mais inteligente que a fala (nem precisa ser a mocinha em si) capitalista neoliberal de nossa sociedade cristã.


En español

En el mismo rato que me senté vi una chica pasar por mí en el “sabi uéi”. Sin tardanza un muchacho le llama. Curiosa, mira hacia atrás. Era el teléfono móvil olvidado sobre el lavatorio que él la devolvía. Es siempre agradable ver una persona ser correcta en un capitalismo que se dijo honesto en nuestra sociedad neoliberal. Pero…
En la bella y calorosa mañana, en el patio de la casa, cerca de las gallinas y do pies de col, lechuga, tomate la madre ve a su hijo enfadado:
- Oh, mi hijito. ¿Estás enfermito? ¿Estas con fiebrita? ¡Qué lástima!
- ¡Estoooooy!
Las gallinas están picoteando tranquilas, tranquilas.
- Me voy a matar una gallina para hacerte un caldo con arroz y te quedares fuerte y saludable otra vez.
- Da un paracetamol para él, su lata aburrida. – Dijo la gallina enfadada.
Aún en el “sabi uéi” comiendo un sándwich cualquiera, mal terminé esta lectura (a cual la mejoré en mi imaginación – esta que has leído) preferí pensar en la chica que pasara por mí y sin tardanza ser llamada por el muchacho.
- ¡Caray! Cómo eres un negrito honesto.
Me echa mejor la historia que leí (ni necesita ser la mejorada) más inteligente que el habla (ni necesita ser la chica en sí) capitalista neoliberal de nuestra sociedad cristiana.


 Rubem Leite é escritor, poeta e crontista. Escreve ao Ad Substantiam semanalmente às quintas-feiras; e todo domingo no seu blog literário: aRTISTA aRTEIRO.  É professor de Português, Literatura e Artes. É graduado em Letras Português; tem quatro pós-graduações e é Mestrando em Educação pela Universidad Europea del Atlántico. Foi, por duas gestões, Conselheiro Municipal de Cultura em Ipatinga MG (representando a Literatura) e atualmente é Secretário do Clesi (Clube de Escritores de Ipatinga).


 Escrito em português no dia 26 de dezembro de 2016 e trabalhado nas duas línguas entre os dias 02 e 16 de fevereiro de 2017.

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