domingo, 5 de fevereiro de 2017

Na Janela do ônibus em um dia chuvoso



Chovia, depois de meses sem chover, as janelas do ônibus ficaram desfocadas, as luzes dos postes se expandiam pela umidade da janela, transformando-se em vultos luminosos. Você me abraçava, estava frio, você usava uma camisa minha, que estava enorme, suas mãos não apareciam nas longas mangas, nossos rostos estavam próximos, o cheiro do seu cabelo molhado me aconchegava, você encostava sua bochecha a minha, mas não podíamos nos beijar.
– Me beija. – Pedi, colocando a mão em sua nunca, que escorria a água do cabelo encharcado.
– Não posso. – Respondeu ela, baixando a cabeça, escondendo seus olhos tristes.
Soltei sua nuca, mas me mantive no abraço, virei meu rosto e olhei para as janelas que pingavam.
Foi nesse momento que meu amor transformou-se em culpa.



SUED

Nome artístico de Línik Sued Carvalho da Mota, é romancista, novelista, cronista e contista, tendo dois livros publicados, também é graduanda em História pela Universidade Regional do Cariri. Militante comunista, acredita no radicalismo das lutas e no estudo profundo de política, sociologia, História e economia como essenciais para uma militância útil.
Escreve ao Ad Substantiam semanalmente às segundas-feiras.
Contato: lscarvalho160@gmail.com





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