segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Aliterações - Renato Gomez (Resenha)



Entrei em contato com o livro Aliterações, do Renato Gomez, em 2014, mas não lhe dei a devida atenção na época, talvez por eu ser novata nesse universo literário, tendo começado a escrever no ano anterior e ainda descobrindo o terreno onde estava pisando, experimentando pouco e estranhando formas de escrever mais ousadas. Em 2016, uns três livros e cinquenta contos escritos depois, pude dar a leitura que merecia, e percebi que é uma obra simples, direta ao ponto, mas extremamente conceitual e bela.
Sendo a coletânea de poemas pensada desde o início como ebook, o autor brinca constantemente com essa torrente de informações que é a internet, fazendo com que sua poesia seja constantemente intercalada por informações adicional, descrições rápidas e termos repetidos em outros idiomas.

TER
O ter
É
Out!
Tudo
É não
Ter
Nada!
Never!
Forever
É ter na mente!

(Poema "Ter", da coletânea "Alterações")

Esses poemas frios, intercalados, cheios de ansiedade e sentimentos comuns da contemporaneidade apressada, uma época onde se lê sem absorver, que absorve sem filtrar e onde os sentimentos mais poderosos e intensos são esmagados pela frieza da rotina. Renato Gomez consegue construir muito bem essa ponte, abarcando os dois lados de nossa realidade: O desejo pela intensidade e a frieza do cotidiano. Poemas poderosos, emoções belas e fogosas enclausuradas pela forma picotada, disforme e líquida são a pedida em Alterações.
Termino essa crítica respondendo a um post feito pelo Renato há algumas semanas, onde afirma que conseguir leitores é uma inglória tarefa. Concordo, mas Renato Gomez não é pra qualquer um, sua literatura extremamente conceitual causa estranheza, que pode ser superada com um olhar mais aprofundado, porém são poucos os que estão dispostos a olhar por baixo da superfície. Aliterações é um livro para ser lido e relido, não apenas por ser ótimo, mas por guardar tesouros escondidos que merecem atenção e que podem não ser percebidos em uma primeira folheada.



SUED

Nome artístico de Línik Sued Carvalho da Mota, é romancista, novelista, cronista e contista, tendo dois livros publicados, também é graduanda em História pela Universidade Regional do Cariri. Militante comunista, acredita no radicalismo das lutas e no estudo profundo de política, sociologia, História e economia como essenciais para uma militância útil.
Escreve ao Ad Substantiam semanalmente às segundas-feiras.
Contato: lscarvalho160@gmail.com




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