sábado, 10 de setembro de 2016

Um exercício de futurologia: a democracia está em risco.

Hoje me dou a uma das “ciências” que mais aprecio, porém não vou cometer o abuso de chamá-la de ciência – como assim a consideram alguns economistas e alguns cientistas políticos –, nem ao menos direi que a compreendo... Hoje pretendo fazer um pouco de futurologia, porém nem mesmo vou afirmar que seja futurologia, visto que alguns passos do governo usurpador para o futuro se tornam incrivelmente claros com as ações e falas recentes de eminentes ministros.
Ontem após acordar, realizei o procedimento que faço há alguns anos na minha vida – sou metódico –... Ainda na cama iniciei a leitura das notícias e reportagens recentes, uma das primeiras que vejo é a demissão do ministro da AGU. Nada de surpreendente. Naquele instante era só mais um ministro a cair no governo mais instável da história. Menos um para se preocupar... Li também a fala e o calhamaço de justificativas do ministro do Trabalho tentando justificar a proposta de 12 horas de trabalho diário. Foi uma verdadeira prova da falta de sintonia do desgoverno e uma informação que guardo para meu exercício de previsão do futuro.
Deixando de lado, por ora, as falas do ministério do Trabalho, volto a AGU. Hoje acordei com uma centena de noticiários com a capa estampando a seguinte matéria: “Governo quer abafar Lava Jato, acusa ex-ministro da AGU”. Nossa, que novidade! (Sarcasmo) Até parece que os jornalistas não viram o áudio do Jucá... Será que só nós – que gritamos fora Temer – conseguimos ouvir que para estacar a sangria era preciso colocar o Michel? Receio que sim... A rede social logo reagiu à acusação do ministro, teve o grupo do fora Temer que já não se surpreende, mas tenta alertar o Brasil, teve o grupo do Temer que atribuiu as declarações a relação que acabou com um telefonema (o Temer já foi mais elegante... antes ele ao menos mandava carta) e o grupo dos nosso fabulosos cientistas políticos da rede social – também conhecidos como massa de manobra –, entre esses,  alguns chegaram a ignorância de achar que a nomeação do advogado-geral da União era herança da nossa guerreira Dilma Rousseff – essa citação deixo na cota do bom humor.
Indo ao exercício da previsão... Vejo que o mais difícil a burguesia já conseguiu.  A última barreira entre o possível e o impossível foi rompida com o impeachment da nossa presidenta... nada mais separa os reclames da alta casta do objetivo maior. Eles tentam desde outubro de 2001, a eleição em que um homem do povo ascendeu o poder, denegrir e diminuir a figura mítica que possui o honorável Luiz Inácio Lula da Silva. Essa meta é perseguida com garra, força e determinação. Jamais poderão aceitar que passe ilibada a honra do homem que mudou a vida de milhões e reduziu a pobreza e a miséria deste país. E, meus senhores, a burguesia vai conseguir... na calada da noite estão operando para fechar o cerco, fantasiando ao máximo e criando novas regras para culpabilizar o ex-presidente.
Em menos de cinco meses, Lula será julgado, será decretado culpado mesmo na ausência de provas, isso para mim é dado como certo. O egrégio STF tem extinguido todo seu decoro e excelência quando julgam os recursos do acusado, nem ao menos respeitam o livre direito de recursos e de se pedir a substituição do juiz do caso ou a discussão sobre o juiz natural, atribuem a defesa a falácia de tentarem obstruir o curso normal do processo legal... Por isso e por tanto mais que aparece diariamente nas páginas do nosso jornal, eu prevejo... Lula caíra.
Ao mesmo que caíra o líder do pouco que resta de resistência, será aprovado o novo código de retorno à senzala – o Temer chama de “atualizações necessárias a CLT”... O trabalhador está ameaçado de uma forma como nunca foi. Com a mentirosa promessa de aumentarem empregos – proposta que irá seduzir muitos desempregados, desmantelando as resistências sindicais – aprovaram medidas que tornaram o empregado refém dos patrões. Novamente o governo brasileiro voltará “aos eixos”, segundo a classe média, aos verdadeiros donos da política, os patrões.
A bolsa recuperará, a economia vai se recuperar como se fosse mágica... sim, vai... Eles dominam como querem os rumos da economia e usaram dessa carta para conquistar a benção do povo brasileiro. Com um país de boa economia quem afinal precisa de politica?! O congresso terá paz para o beija-mão mais asqueroso e servil da história moderna brasileira. Tudo de volta ao modus operandi que nos assolava até 2002. Quem poderá resistir com o Lula preso e sem o devido apoio popular já minado pela recuperação econômica? Ninguém.
A era de ouro será eternizada pelo sorriso amarelado do bom Meirelles – o mais traidor de todos – e pela alva peruca do Moreira Franco. Voltarão à moda até as poesias... recitadas pelo eterno comensal da morte “Michel Miguel Elias Temer Lulia”.
Nessa nova era teremos que temer – trocadilho – até mesmo a constituição, ela será operada aos sabores dos ventos, ao gosto do Temer. O trabalho já estará inseguro, o direito será usurpado, a previdência, já sabemos, será para poucos, temo que não abranja nem mesmo àqueles poucos lunáticos que levaram o golpista – abuso da palavra, pois nem sei até quando terei a livre expressão resguardada – ao poder.
Volto às palavras do ex-ministro... o governo tenta frear a lava-jato...Está definida uma peça central da futurologia. Depois de freada a sangria a todos os criminosos, não restará um limite e um poder que se equipare aos dos golpistas... Talvez seja o fim do que concebemos como democracia. Tudo é feito com o objetivo maior de parar as investigações, salvar o Aécio, salvar o Jucá, salvar o Cunha e tantos outros... Para mim tudo parece tão 1964!
Por fim, meu único desejo sincero é estar errado, está quiçá sendo pessimista... “nada disso vai acontecer, a esquerda é uma forte resistência”... Uma grande pena que as entrelinhas de nossa imprensa não trabalham na mesma ilusão que suas manchetes, a democracia está em grave risco. Não obstante por simples insistência, eu digo: Fora Temer. 

Josué da Silva Brito

Escritor, paracatuense, acadêmico de medicina e militante dos direitos humanos. Tem seis livros publicados.
Escreve ao Ad Substantiam semanalmente aos sábados.
Contato: josuedasilvabrito1998@gmail.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário