quinta-feira, 15 de setembro de 2016

PRAÇA POENTE – GADO

PLAZA PONIENTE – GANADO


Em português

A tarde está quente; o que salva é o ar condicionado. Mas não sei o que é mais quente nem o que é mais refrescante...
Fala o Juiz:
- Estou vendo que os senhores querem ter a guarda do garoto João. Mas não estou vendo cadastro de nenhum dos dois na fila de adoção.
Fala o Promotor:
- Querem ter sob a guarda de vocês um adolescente? Um rapaz, ainda por cima? Um jovem cheio de energia e vigor?
Apesar de obviamente perceberem aonde ele quer chegar, Lúcio questiona:
- O que o doutor está realmente querendo perguntar com tantas interrogações?
- Pois então vou ser bem claro. Pedofilia! Não estou perguntando, mas sim afirmando. Pedofilia! Um casal gay com um adolescente só pode está querendo sexo.
- Se conversar com João – Diz Lúcio – perceberá que isso nunca aconteceu e que nosso sentimento está mais para pais...
- Pais? Qual dos dois é a mãe?
- Suas perguntas estão sendo pertinente, nobre colega, só que não se trata disso e acontece que ambos são homens o que exclui a possibilidade de um ser mãe. – Interfere nossa advogada. – Não sabia disso?
- Permita-me responder – fala Lúcio – a moderna psicologia afirma – ou seja, a ciência – que para dois homens se amarem ou para duas mulheres se amarem um homem não precisa deixar de ser homem e nem uma mulher precisa deixar de ser mulher. Este é o nosso caso, ou seja, eu e Luiz somos homens. Masculinos. Viris.
- Em muitos casos não é isso que acontece...
- Outros casos não estão em julgamento. – Fala nossa advogada. – Estamos discutindo o caso João, que não tem família, e de meus clientes de ilibada idoneidade, que querem ter a guarda dele. E é nisso que o doutor deve se ater.
- Depravação é depravação...
- Os homossexuais, os transgêneros e os transexuais são acima de tudo seres humanos e como tais devem ser respeitados. – Interfere o Juiz. – Atenha-se aos fatos e ao caso, por favor.
O ar condicionado está agradável. Mas sem chegar a nenhuma conclusão é marcada outra audiência. É triste ter que sair para o mormaço da rua. Mas sinceramente, lá dentro o que estava mais quente e o que refrescava mais? Para saber, não perca na próxima semana a excitante continuação de Praça Poente, nossa dramática novela nada melodramática.
E quando saíamos do Fórum um carro passa tocando um jingle chatíssimo de um candidato a prefeito que não pode se candidatar e mesmo assim quer atentar, digo, tentar ser boiadeiro do admirável gado nem sempre muito novo da cidade. Entretanto, por isso escrevo e vivem Lúcio e Luís; para transformar ou tentar converter gado em cidadãos.


En español

La tarde está calurosa; lo que salva es el aire acondicionado. Pero, no sé lo que es más caluroso ni lo que es más refrescante…
Habla el Juez:
- Percibo que ustedes quieren obtener la guardia del muchacho Juan. Sin embargo, no veo el registro de ningún de los dos en la cola de adopción.
Habla el Promotor de Justicia:
- ¿Quieren tener bajo a la guardia de ustedes un adolescente? ¡¿Un muchacho?! ¿Un joven lleno de energía y vigor?
A pesar de obviamente los dos percibieren adonde él quiere llegar, Lucio cuestiona:
- ¿Qué el doctor realmente desea preguntar a través de tantas interrogaciones?
- ¿No comprendes? Entonces seré clarísimo. ¡Pedofilia! Y no estoy preguntando; ¡Aseguro! Una pareja gay con un adolescente solamente quiere sexo, nada más.
- Si conversar con Juan – Habla Lucio – percibirá que eso nunca aconteció y que nuestro sentimientos está más para padres…
- ¿Padres? ¿Cuál de los dos es la madre?
- Sus preguntas están siendo pertinentes, noble colega, sólo que no se trata de eso y acontece que ambos son hombres; lo que excluye la posibilidad de un ser madre. ¿No sabías eso? – Interviene nuestra abogada.
- Permítame responder – habla Lucio – la moderna psicología asegura – o sea, la ciencia – que para dos hombres se amaren o para dos mujeres se amaren un hombre no dejará de ser hombre y ni una mujer se cambiará a hombre. Esto es nuestro caso, o sea, Luís y yo somos hombres. Masculinos. Viriles.
- Hay muchos casos que no es eso que ocurre…
- Otros caso no están en juzgamiento. – Habla nuestra abogada. – Estamos discutiendo el caso de Juan, que no tiene familia, y de mis clientes de intachable idoneidad, que quieren la guardia de él. Y es en eso que el doctor debe atenerse.
- Depravación es depravación…
- Los homosexuales, los transgéneros y los transexuales son, primeramente, seres humanos y como tales deben ser respectados. – Interfiere el Juez. – Aténgase a los factos y al caso, por favor.
El aire acondicionado está agradable. Pero, sin llegare a ninguna conclusión es marcada una nueva audiencia. Es triste tener que salir al bochorno de la calle. Pero, en verdad, ¿allá dentro lo que estaba más ardiente y lo que refrescaba más? Para saber, no perca en la próxima semana la excitante continuación de Plaza Poniente, nuestra dramática novela nada melodramática.
Y cuando salieron del Palacio de la Justicia un coche pasa tañendo un jingle aburridísimo de un candidato a Alcalde que no puede candidatearse y mismo así quiere atentar, digo, tentar ser vaquero del admirable ganado ni siempre mucho nuevo de la ciudad. Sin embargo, por eso escribo y viven Lucio y Luís; para cambiar o intentar convertir ganado en ciudadanos.


Convido a conhecer também os capítulos anteriores de Praça Poente:


 Rubem Leite é escritor, poeta e crontista; professor de Português, Literatura e Artes. Escreve ao Ad Substantiam semanalmente às quintas-feiras. Como dito nos capítulos anteriores, não tenho a data de quando o original da história foi criado. Porém esta versão foi trabalhada entre os dias 13 e 15 de setembro de 2016.

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