sábado, 24 de setembro de 2016

O muro e a vida

















Nenhuma pétala de flor para alegrar
A parede muda... muda de tão poucas
Palavras que fala... fala depressivas
Palavras inexpressivas... murmúrios que
Tocam a alma.

E sofre e chora tão claramente... pelos
Filhos dementes de quem rouba fios
De esperança e luz.

Afana a liberdade e a vida... Vida...
Vida... leva o pouco que já resta,
Leva para longe, mas não leva para
Si. Não consegue expressar nenhuma
Vida... Não vive.

Talvez por não viver tenha inveja
Da vida... Acima de tudo enaltece a
Ironia... Vivos construindo deuses
De barro que lhes consomem a
Vida...

Ira... O único sentimento para
A palavra fria. Cercam o mundo,
Os homens. Pobres, cercam a si
Mesmos.

E vão de braços dados, como se
Fossem dois amantes. O muro
E a vida. Ambos perseguem
O próprio fim...

Josué da Silva Brito
Escritor, paracatuense, acadêmico de medicina e militante dos direitos humanos. Tem seis livros publicados.
Escreve ao Ad Substantiam semanalmente aos sábados.
Contato: josuedasilvabrito1998@gmail.com

Um comentário:

  1. Boa noite, Josué.
    Ler suas poesias é um grande exercício de interpretação, uma vez que, a profundidade mora nelas.
    Li e reli.
    Palavras frias acabam formando uma geleira, um oco de solidão que a ninguém salva.
    A vida, neste caso, vive a dualidade das gangorras que ela própria impõe ao homem, os muros nos impedem de enxergar o caminho a seguir.
    Cada qual persegue o que lhe interessa, seja a travessia da vida, ou a quebra de muros, quando a isto estamos dispostos.
    Uma briga de amor e ódio em nós mesmos!
    Aplausos!
    Lindo feriado para você.
    Beijos na alma, amigo.

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