quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Queria morrer de tanto não querer amar

Queria...
secar minha solicitude
no frio suor de uma angústia
repartir meu corpo em fragmentos
de sexo, ânsias e tremores
que me fizessem sentir viva
não como uma aprendiz
de querer amar
entre idas e vindas
lágrimas e risos.
Queria morrer de tanto amar...

Morrer entre pernas
entre braços
entre ápices
que me estremecessem a alma
me deixando desvalida
sem vontade de odiar
e até mesmo amar...

Queria esquecer que sou capim
que se arrasta
pra nada
por nada
pra lugar nenhum...

Queria esparramar meu corpo
em outro
que me acolhesse
sem me perguntar
de onde vim
o que quero
o que sou
do que sou feita
e para que sou feita.

Sou feita de cortes
dilacerações
sonhos inacabados
canções de amores tristes
sou feita de sexo, só sexo!

Queria
beber do amor maior
permanecer junto
sem ter que na manhã seguinte
vestir a roupa
retocar o baton
pegar o dinheiro
e ir novamente para a rua
para morrer mais um pouco a cada dia
para não querer morrer de tanto querer amar...

"Para todas as mulheres que se travestem de corpos mascarados, para saciarem sexos alheios e que escondem seus sonhos em orgasmos ensaiados com homens estranhos."


Nua
“Artista plástica, inquieta e intensa que vem gritando sua vivência através da arte. De um olhar de relance ao prazer, incontido, um mergulho na diversidade de detalhes. Nas horas (in)vagas poetiza. Quem está acomodado com tudo e acha que subversão é o fim do mundo se prepare.”

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