segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Coisas que Caem de Mim - Crítica



O Coletivo Dama Vermelha, como relatei na crítica do espetáculo Toque-me, tem uma pegada única na região do Cariri cearense, fogem do regionalismo que se vende como tradicional e constroem o ambiente de uma forma brilhante, com uma estética única na região onde se encontram, trabalhando a beleza da decadência, essa tragédia da boemia contemporânea, os excessos, o imediatismo, a busca destrutiva por “sempre mais intensidade”. Coisas de Caem de Mim, espetáculo que se dividem em fragmentos (Partes) que foram reunidos na íntegra para uma apresentação no Cangaço Rock Bar na cidade de Juazeiro do Norte.
Coisas que Caem de mim é incrível, construído sobre uma imensa gama de sentimentos, uma verdadeira análise panorâmica do “sentir” na contemporaneidade. Os quatro Fragmentos tem, respectivamente, suas particularidades e cenografia, levando o espectador a uma viagem por um imprevisível vórtice de intensidade, fortes emoções e poderosas interpretações, representadas das mais diversas formas. Cada parte (Fragmento) faz isso da sua forma, sempre impactando o público com elementos interessantíssimos. Para que o leitor tenha uma ideia, o espetáculo seguiu por todo o bar, boa parte de seus aposentos foram palco para o espetáculo, o público, boquiaberto (Ao menos eu estava boquiaberta) seguia, não sabendo aquilo que iria se seguir. Fascinante.

O aproveitamento da iluminação das salas, a utilização das mesas e cadeiras próprias do ambiente como objetos cênicos demonstram a imensa versatilidade do Coletivo, da qual já havia sido testemunha em uma apresentação do Toque-me, porém aqui algo novo para mim acontece, o espetáculo molda-se ao imprevisível do improvável palco, que foi todo o bar. Tamanha criatividade e beleza deixaram meus olhos elétricos a tudo que os atores executavam, neguei-me até mesmo a ser participante de um dos momentos, onde o Tomás Luá, ator do Coletivo, conecta todos os espectadores na sala por uma linha, para poder contemplar toda a obra em sua plenitude. Uma apresentação de pouco menos de trinta e cinco minutos tratou de desespero, solidão a relações de opressão de gênero no trabalho, essa abstração de temas em um tempo tão curto sem que se fique apenas na superfície, fugindo dos lugares comuns e das saídas fáceis, demonstra a genialidade e potencial do Coletivo e do Espetáculo. Se eu chamei de Toque-me de superficial e clichê, Coisas que Caem de Mim é o extremo oposto, é impressionante, ousado, mas também versátil e original. Fiquei e estou, até agora, impressionada por sua intensidade, um pedaço desse espetáculo veio comigo para casa, a emoção que sinto ao escrever essa crítica, essa coisa que caiu de mim. 



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SUED

Nome artístico de Línik Sued Carvalho da Mota, é romancista e contista, tendo dois livros publicados, também é graduanda em História pela Universidade Regional do Cariri. Militante comunista, acredita no radicalismo das lutas e no estudo profundo de política, sociologia, História e economia como essenciais para uma militância útil.
Escreve ao Ad Substantiam semanalmente às segundas-feiras.
Contato: lscarvalho160@gmail.com

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