A FELICIDADE

Um homem chegou próximo de uma enorme formação rochosa, surpreendentemente íngreme. Na base da grande montanha havia um profeta ancião de longas barbas grisalhas, vivia a sombra do enorme rochedo já por dezenas de anos.

– Onde encontro a felicidade? – perguntou o homem, aproximando-se do ancião.

– Está no topo da rocha. – afirmou o profeta, apontando para o cume.
O homem encheu-se de esperança, agradece ao velho e corre para próximo da formação rochosa, a rodeia por todos os lados com um sorriso aberto em seu rosto. Após horas correndo, encharcado com o próprio suor, o homem, ofegante, voltou-se para o ancião por uma segunda vez, este que continuava estático no mesmo lugar que sempre havia estado.


– Não encontro a trilha, como hei de chegar ao topo? – Perguntou o homem, apoiando com suas mãos o peso do corpo sobre os joelhos.
O profeta, antes contemplativo, começou a gargalhar sonoramente. O eco de sua risada atingiu a quilômetros de distância. De tanto rir o profeta expirou diante do olhar aterrorizado e confuso do homem ofegante.





SUED

Nome artístico de Línik Sued Carvalho da Mota, é romancista e contista, tendo dois livros publicados, também é graduanda em História pela Universidade Regional do Cariri. Militante comunista, acredita no radicalismo das lutas e no estudo profundo de política, sociologia, História e economia como essenciais para uma militância útil.
Escreve ao Ad Substantiam semanalmente às segundas-feiras.
Contato: lscarvalho160@gmail.com

Comentários

  1. Rerrê. Um sábio faustão... Rerrê.
    Ou um ofegante homem que deixa perder o que conquista...

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  2. Excelente! Uma bela reflexão sobre a felicidade.

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