sexta-feira, 15 de julho de 2016

URSS: A política do contraponto

É inadmissível — tanto no ponto de vista histórico quanto no ponto de vista político — negar a importância que a União Soviética exerceu no mundo; principalmente quando se trata do contraponto a dois Impérios: primeiro, a Alemanha nazista, e, depois, o Imperialismo Estadunidense.
Em 22 de junho de 1941, Hitler ordenou seu exército a invadir a URSS. Foi travada, assim, a guerra dos stalinistas contra os hitleristas. Foram quase cinco anos. Em 9 de maio de 1946, Stalin declara ao povo soviético a vitória contra os nazistas.
A partir daí, a União Soviética, que fazia contraponto mundial ao Imperialismo Alemão, passou a ser o contraponto ao Imperialismo Estadunidense, desempenhando um papel importantíssimo na economia e na política global.
Em 1991, quando Gorbachev era presidente, foi declarado o fim da URSS. E o Imperialismo Estadunidense passou a reinar sozinho. E reina até hoje.
Sem nenhum país que sirva de contraponto a este Império neo-liberalista, o mundo está nas mãos do Tio Sam, submetido às suas vontades e desejos — que quase sempre (ou sempre) são sádicos e oportunistas.
Não me identifico com a política de Stalin e Lenin, e se for pra me identificar com algum representante do socialismo do século XX, fico com Trotsky e sua revolução pacífica (o que é, convenhamos, mais adequado à contemporaneidade), mas agora, com o fim da URSS, não há quem pare os EUA; nem mesmo a Rússia, que se orgulha — presunçosa e apoteótica que é — de seu grande poder bélico. Isto, segundo meus princípios de trotskista, é motivo de se envergonhar.
Eis o principal motivo pelo qual não me identifico com Stalin: pra acabar com ditaduras de direita, a esquerda cria uma ditadura de contraponto, e, assim, torna-se o que sempre desprezou. Socialistas nostálgicos são os neo-nazistas da esquerda!
A estes quase companheiros de luta, cito Marx em sua última entrevista, ao ser perguntado sobre o que é o socialismo: "O socialismo é um esqueleto que deve se adequar às lutas de cada época. Não existe ideia pronta pro socialismo, existe uma base".



Vinícius Siman

Escritor, diretor, crítico de arte e militante dos direitos humanos. Tem nove livros publicados.
Escreve ao Ad Substantiam semanalmente às sextas-feiras.
Contato: souzasiman@gmail.com

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